Caminhadas, trilhos e percursos pedestres à sua espera!
Atualizado: 29 de ago. de 2023
O ser humano é morfologicamente constituído para se mover. O movimento fisiológico do nosso corpo enquanto caminhamos, o caminhar sinérgico, induz “de per si” uma agradável sensação de bem-estar físico, inicialmente, e emocional, logo depois. No movimento natural do nosso corpo enquanto caminha, está a concretização de parte daquilo para que ele existe: permitir a nossa movimentação.
E se, cumulativamente com este apelo natural para caminharmos, conseguirmos juntar a agradabilidade dos espaços por onde caminhamos? E alguma imprevisibilidade nos cenários que vamos vendo à nossa volta enquanto caminhamos? E se pudermos caminhar junto com alguém de quem gostamos? E se lhe disser, caso ainda não o saiba, que caminhar, simplesmente caminhar, por sítios belos e desafiantes, a sós ou na companhia de uns poucos amigos, pode ser uma experiência tão boa que não se esquece?… e se quer repetir uma e outra vez… uma e outra vez…? Pois é, pode desfrutar do caminhar sempre que quiser.
Neste artigo pretendo apenas despertar-lhe a curiosidade por alguns locais que (eventualmente) ainda não conhece, por trilhos e percursos ainda desconhecidos (ou não), por caminhadas ainda não realizadas (ou não).
Image by wirestock on Freepik Image by wirestock on Freepik
Image by wirestock on Freepik Image by wirestock on Freepik
Encontramo-nos a meio do Verão. Os trilhos e percursos pedestres que abaixo lhe vou apresentar são bem mais fáceis e agradáveis de fazer com um tempo menos quente, mais ameno. A Primavera e início de Verão já lá vão… mas o final do Verão e o Outono poderão ser épocas mais agradáveis para o fazer.
O que é que precisa para iniciar uma caminhada? Fácil: disponibilidade física, vontade e determinação. Mas mesmo que a vontade, por vezes, não seja muita, peço-lhe que apele à sua determinação e comece por dar o primeiro passo… e depois mais um… e depois outro… e mais outro… Mais alguns passos em plena Natureza, num dia bonito, em boa companhia, e verá que tudo em sua volta (e na sua cabeça) adquirirá um outro sentido, um outro significado. Tudo - mas mesmo tudo - se revelará para si mais simples, fácil e belo.
Vivo e movimento-me com maior facilidade e frequência na área do Grande Porto. Pelo que é a partir daqui que parto para o mundo das caminhadas. Começarei então por lhe propor alguns trilhos e percursos pedestres que se situarão nas proximidades. E irei, sucessivamente, afastando-me para outras regiões, atravessando mesmo as fronteiras de Portugal.
Então, leiam e tomem notas! E aqueles que já percorreram estes trilhos, ajudem-me a apresentar cada um deles, partilhando comigo (e connosco) as suas/vossas dicas e comentários.
PEQUENA ROTA NA SERRA DE VALONGO
(PR 2 VLG – Trilhos dos Romanos – 5,8 km)
O parque das Serras do Porto abrange as serras de Santa Justa, Pias, Castiçal, Santa Iria, Flores e Banjas, cobrindo territórios de Gondomar, Paredes e Valongo. Existe uma grande rota (GR 62, com 59 km) que percorre todas estas serras, num espaço de proximidade à urbanização mas também de surpresa com as paisagens rurais com património cultural e etnográfico. Será uma rota para percorrer em mais do que um dia e com trilhos com nível de dificuldade médio e elevado.

Esta Grande Rota pode ser dividida em pequenas rotas (PR), deixando aqui como sugestão a PR 2 VLG – Trilhos dos Romanos, trilho com 5,8 km, com dificuldade moderada e início e fim no centro de interpretação ambiental de Valongo.
Este percurso leva-nos pela Serra de Santa Justa e passa pelos complexos mineiros que nos dão testemunho da mineração aurífera subterrânea levada a cabo pelos romanos há cerca de 20 séculos que, segundo os especialistas, é a mais extensa do Império Romano.
Como em todos os percursos, devemos respeitar a fauna e flora que nos rodeia, as quais incluem espécies protegidas que aqui têm o seu habitat (exemplos: salamandra lusitânica e feto filme).
Links sugeridos:
PEQUENA ROTA EM PENAFIEL
(PR 2 PNF-GDM – Caminhos do Rio Mau - 8 km)
Na região de Penafiel, a par da Rota do Românico, há trilhos e percursos para descobrir. Sugiro-lhe a Pequena Rota 2 Penafiel Gondomar – Caminhos do Rio Mau. É um percurso circular de, aproximadamente, 8 km, com início no Parque de Lazer do Rio Mau.
Este percurso acompanha parcialmente o rio com o mesmo nome e tem um dos seus pontos altos no “Poço Negro”, uma pequena lagoa formada pelas águas que recebe de uma cascata de águas límpidas. Serve de recompensa brutal a quem lá chega, uma vez que este percurso tem etapas que obrigam a alguma dose de esforço, equilibrismo e destreza.
Links sugeridos:
https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/pr2-pnf-gdm-caminhos-do-rio-mau-68610675
https://www.trilhosecaminhadas.com/threads/pnf-gdm-pr2-pelos-caminhos-de-rio-mau-com-visita-ao-poco-negro.5654/
PEQUENA ROTA NA SERRA DE AROUCA
(PR 7 Arouca – Trilho das Escarpas de Mizarela - 8 km)

A serra da Freita, na zona de Arouca, é um dos destinos mais famosos de pedestrianismo, muito graças aos seus passadiços. Não devemos esquecer, no entanto, os trilhos de pequena rota que nos levam pelo meio da natureza até cascatas e vistas de perder o fôlego.
Exemplo disso é o PR 7 Arouca – Trilho das Escarpas de Mizarela, o qual nos brinda com a cascata mais alta de Portugal Continental, a cascata da Frecha da Mizarela, onde as águas do rio Caima se precipitam de mais de 60 metros de altura. Este percurso circular arranca e termina no Parque de Campismo de Merujal, com 8 km de extensão, mas de dificuldade elevada e que obriga a percorrer declives acentuados e troços bastante estreitos.
Links sugeridos:
PEQUENA ROTA NA SERRA DO GERÊS
(PR 9 Poços Verdes – Trilho das 7 Lagoas - Xertelo - 12 km)

Na Serra do Gerês são muitos os trilhos que nos apresentam paisagens estonteantes, cascatas e lagoas de nos fazer atirar de cabeça (mas com precauções prévias!) e nos possibilitam um contacto com a natureza que nos ‘limpa a alma’.
É aqui que encontramos um dos meus trilhos favoritos, o PR 9 Poços Verdes - Trilho das 7 Lagoas – Xertelo. Este tem um percurso de 12 km, com início e término na aldeia de Xertelo, pertencente a Montalegre.
O trilho segue por uma margem do rio, por entre escarpas e levadas que nos encaminham ao ex-libris do percurso: as 7 lagoas. São um deslumbre para os olhos, mas também um revigorante para o corpo suado e exausto da caminhada. Um banho nestas águas límpidas é o perfeito recarregar de energia para mais facilmente empreendermos o percurso de volta ao ponto de partida.
Links sugeridos:
PEQUENA ROTA NA SERRA DA ESTRELA
(PR 13 Manteigas - Trilho da Rota das Faias - 5,5 km)

Outra serra que vale bem a pena visitar, em qualquer estação do ano, é a Serra da Estrela. E se só lá foi a pensar na neve, aqui está o ‘empurrãozinho’ para a visitar em tempo mais ameno, uma vez que esta região de vales e montanhas, cascatas e praias fluviais, tem tudo para nos encantar.
O Parque Natural da Serra da Estrela tem vários trilhos e percursos, nem todos possíveis de fazer a pé ou sem equipamento de montanhismo, com vasta possibilidade de escolha. O PR 13 Manteigas - Trilho da Rota das Faias é um percurso a planear para o Outono para, assim, podermos apreciar em pleno as cores com que a natureza se pinta na densa floresta de faias por onde passa este trilho. É um percurso fácil de apenas 5,5 km, com apenas uma parte fisicamente mais exigente por aumento do declive, e que tem início e término na Cruz das Jugadas, perto de Manteigas.
Links sugeridos:
PEQUENA ROTA ENTRE A PRAIA DA LUZ E LAGOS, NO ALGARVE
(Rota Vicentina – parte do Trilho dos Pescadores - 11 km)

Rumando agora bem a Sul, não posso deixar de sugerir a possibilidade de percorrer maravilhosas praias e paisagens costeiras com falésias de suster a respiração.
A etapa deste longo e belo trilho que vos proponho é o que liga a Praia da Luz a Lagos, passando pela Ponta da Piedade através de arribas que a ligam à Praia do Camilo e à Praia de Porto Mós. Estes pequenos percursos são parte de uma Grande Rota – a Rota Vicentina - que a permite percorrer em toda a sua extensão, de São Torpes a Lagos, num total de 226 km, sempre acompanhando a costa alentejana e algarvia, daí a sua denominação de "Trilho dos Pescadores", uma vez que segue sempre junto ao mar por caminhos utlizados por locais e pesqueiros.
Links sugeridos:
PEQUENA ROTA EM LA FREGENEDA, ESPANHA, A POUCOS KM DA FRONTEIRA
(Camino de Hierro - 17 km)
Este é o meu próximo projeto! Ainda falta quase um mês para o concretizar… mas já estou bastante entusiasmado!
PHOTOSERVICES & javierprietogallego.com PHOTOSERVICES & javierprietogallego.com
Do outro lado da fronteira surge um fantástico trabalho de aproveitamento da linha férrea abandonada entre La Fregeneda e Barca d’Alva. Com o nome de Camino de Hierro esta é a rota dos túneis e pontes da linha do Douro no Parque Natural das Arribas do Douro, o qual é considerado “Reserva da Biosfera”, desde 2015. As 10 pontes e 20 túneis que a constituem foram reabilitados e abertos ao público em 2021, num percurso com 17 km de comprimento e acompanhado de paisagens panorâmicas de cortar a respiração. O percurso acompanha o caudal do rio Águeda, o qual é um afluente do rio Douro. Além da paisagem estonteante, devemos também estar atentos à obra prima de engenharia industrial e ferroviária que vamos percorrendo, agora a pé, e que já foi uma importante via de comunicação entre os dois países.
Links sugeridos:
CAMIÑO DE SANTIAGO
Caminho Central Português (650 km a partir de Lisboa, 240 km a partir do Porto)
Caminho Português da Costa (280 km a partir do Porto)
Caminho Português do Interior (387 km a partir de Viseu)
Caminho Francês (cerca de 800 kms a partir de Saint-Jean-Pied-de-Port)
Será para muitos, ‘O Caminho’ ou ‘O Caminho dos caminhos’. Pela sua extensão, pela sua história de vários séculos, pelo seu significado místico.
O Caminho de Santiago é um itinerário de raiz espiritual, considerado Património da Humanidade, que assenta numa peregrinação até Santiago de Compostela, na Galiza, no noroeste de Espanha e a norte de Portugal. Em boa verdade, são vários os caminhos com um único destino, mas tem vários locais de partida e vários percursos possíveis.
Estes caminhos exigem uma preparação física bastante cuidada, até porque têm uma extensão que os obriga a percorrer em vários dias. Mas exigem também uma boa preparação mental e um plano de superação que leva muitos a considerarem-no um ponto de viragem nas suas vidas.

Sendo a Catedral de Santiago de Compostela a etapa última da maior parte dos peregrinos, muitos dos que já fizeram ‘o caminho’ dizem que mais do que o destino, o que importa é a viagem, o caminho… E muitas vezes – sempre, diria eu – este é um caminho interior, um caminho que cada peregrino faz individualmente, ainda que percorra veredas, montes e vales, na companhia de outros.
Destes vários percursos, destaco: (i) o Caminho Central Português (cerca de 650 km), com início em Lisboa e passando pelo Porto, atravessa a fronteira em Valença, (ii) o Caminho Português da Costa (cerca de 280 km), o qual tem início no Porto e atravessa a fronteira em Valença, (iii) o Caminho Português do Interior (387 km), o qual tem início em Viseu e atravessa a fronteira em Verín, e (iv) o Caminho Francês (cerca de 800 km), o mais internacionalmente conhecido.
O Caminho Francês tem quatro principais itinerários, os quais são hoje considerados Património Cultural europeu da Unesco. Três dessas rotas (Paris-Tours, Vézelay-Limoges e Le Puy-Conques) convergem em Saint-Jean-Pied-de-Port, a localidade francesa onde mais peregrinos iniciam o seu Caminho, entrando em Espanha por Roncesvalles. O quarto itinerário (Arles-Toulouse), conhecido pelo nome de “Caminho Aragonês”, entra em Espanha pelo porto de Samport e une-se ao itinerário que sai de Saint-Jean-Pied-de-Port em Puente de la Reina.
Nos caminhos de Santiago a sinalização para os peregrinos é feita com setas amarelas, desenhadas de forma muito característica, não raras vezes acompanhadas do desenho da concha ou vieira, símbolo do caminho e da peregrinação a Santiago de Compostela.
Links sugeridos:
Caminho Português da Costa: http://www.caminhoportuguesdacosta.com/pt
Caminho Português – Central e da Costa: www.caminhoportuguesdesantiago.eu
Caminho Português do Interior: https://cpisantiago.org/
Caminho Francês: https://www.vagamundos.pt/caminho-frances-de-santiago/
Vários caminhos até Santiago de Compostela: https://www.caminodesantiago.gal/pt/planifique/os-itinerarios/
Entusiasmado(a) com estas possibilidades de descobrir o Mundo enquanto caminha? Pois existem muitos e muitos mais trilhos para lá destes que brevemente apresentei… E existem algumas importantes recomendações de segurança a que não me referi neste artigo – fá-lo-ei num próximo - mas que será fundamental conhecer antes de partir à aventura.
Para terminar... recorda-se do que acima escrevi como ser o fundamental para iniciar uma caminhada?
«… disponibilidade física, vontade e determinação...»,
«… comece por dar o primeiro passo… e depois mais um… e depois outro… e mais outro...»,
«… verá que tudo à sua volta (e na sua cabeça) adquirirá um outro sentido, um outro significado. Tudo – mas mesmo tudo – se revelará para si mais simples, fácil e belo.»
Necessita de informação ou esclarecimentos adicionais? Quer juntar-se a um pequeno grupo de ‘caminheiros’ que regularmente partem à descoberta de novos trilhos por esse país e mundo fora?
Então não hesite em contactar-me:
Marco Moura Marques
+351 967 035 966
marco@moramarques.pt





Comentários